CucaTreinoQuando uma decisão é tomada, em tese, houve uma avaliação dos riscos. Prós e contras, o que será abdicado, as perdas e aquilo que poderá ser conquistado. Na maioria das vezes, desta forma, a eficiência nas decisões é aumentada. A chance do erro fica menor. Em um ambiente em que a paixão é preponderante, utilizar a razão como fator para as escolhas é algo mais difícil. E, especificamente no futebol brasileiro, ao que acompanhamos, chega a ser raro.

A gestão esportiva é cada vez mais essencial para o desempenho de um clube ou uma entidade. Ter convicção, pura e simplesmente, não basta. Em um projeto é preciso ter um aprofundamento sobre o que cada profissional pode apresentar e, dentro disso, avançar na busca pelos resultados. E no futebol o que é esperado, não há como negar, passa diretamente pelo resultado.

Há um movimento dentro do futebol brasileiro pela profissionalização dos clubes em todos os setores. Cada vez mais o investimento é pesado na contratação de profissionais especializados para cada área. Porém, quando chega na ponta, na linha de frente, no treinador, a situação passa para a incoerência.

A contradição dos dirigentes está ligada diretamente com os resultados. Basta que uma série de derrotas aconteça para a mudança e o descarte de um planejamento – se é que houve um. Afinal, sempre que um novo profissional é contratado os vínculos são assinados por, ao menos, uma temporada. Ou seja, qual a convicção quando isso é rompido após dois ou três resultados negativos?

No futebol brasileiro, os fatores externos ainda pesam fortemente para as demissões de treinadores. Seja o Conselho Deliberativo, o humor do presidente, a pressão de torcedores e, por incrível que pareça jogadores… É preciso blindar e evitar que tantas pessoas possam influenciar neste processo. Por exemplo, em uma relação direta entre o futebol brasileiro e o europeu. Qual o motivo da saída de Dorival Júnior do Santos, classificado à segunda fase de Libertadores e vice-campeão Brasileiro em 2016? Por outro lado, qual o motivo da permanência por mais dois anos de Arsene Wenger no comando do Arsenal, da Inglaterra? Como não recordar da demissão de Eduardo Baptista do Palmeiras?

Este contexto de incertezas para os treinadores, causa movimento de condutas duvidosas por parte destes profissionais. Se o risco de demissão é elevado diante de uma série de resultados negativos, por qual motivo ser fiel ao projeto? O caso recente de Guto Ferreira, ao deixar o Bahia e ir para o Internacional, é um exemplo de uma postura defensiva da classe de treinadores. Óbvio também, que este é um mercado supervalorizado em que, na maioria das vezes, quem paga mais leva.

Acompanho o andamento da situação do técnico Zé Ricardo, do Flamengo – treinador na Série A do Brasileiro há mais tempo em um clube. Há um ano no cargo, o jovem treinador está pressionado depois da queda na Libertadores e um começo ruim de Brasileirão, mesmo feito um excelente trabalho nos últimos meses, com título invicto do Carioca e terceiro lugar no Brasileiro. Neste cenário, a diretoria o segura e, em tese, o garante no cargo. Até quando isso acontecerá? O Flamengo tem a oportunidade de dar um exemplo de projeto a longo prazo. Será que há convicção no projeto desenvolvido no início da temporada?

O profissionalismo, no caso do futebol brasileiro, ainda engatinha neste aspecto.

Um abraço,

Savio Bortolini Pimentel*

*O artigo quinzenal é produzido em conjunto com o jornalista, Renan Koerich.

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