São 11 mortes ligadas ao futebol brasileiro neste ano de 2017. Isso mesmo, 11 pessoas que

perderam a vida por conta de brigas ligadas ao futebol. Um número alto, que, infelizmente, faz

parte da rotina do torcedor, amante do futebol. A pergunta que fica: até quando?

O futebol é visto como um reflexo da sociedade. Uma população violenta, como consequência,

arquibancadas de estádios violentos. Na última década, entre 2005 e 2015, o número de

homicídios no Brasil cresceu em 20 estados brasileiros – segundo dados do Fórum Brasileiro de

Segurança Pública. Além disso, o Brasil mata mais do que países declaradamente em guerra.

Como exemplo, na Síria, nos últimos quatro anos, foram 256 mil mortes, enquanto que aqui o

número é maior: 279 mil. Ou seja, vivemos a nossa própria guerra e viramos a face para isso.

De janeiro até julho, em sete meses, foram 11 mortes voltadas ao esporte que tanto amamos.

Todas em diferentes regiões do território brasileiro – Pernambuco, Goiás, Rio de Janeiro e São

Paulo. Além disso, episódios de violência são registrados com frequência em outros locais – no

Rio Grande do Sul, por exemplo. Outro número alarmante: de 2010 a 2016, foram 113 mortes

ligadas a brigas de torcidas.

O sociólogo Maurício Murad, um dos principais estudiosos sobre a violência no futebol

brasileiro, compreende que os casos têm ligação direta com a sociedade brasileira, contudo,

lamenta a postura das autoridades públicas do país. Para ele, as punições esportivas (torcida

única, portões fechados e etc) são ineficazes quando são vistas como única solução – é tratar

da consequência e não do problema.

Diante do problema, é preciso encontrar alternativas mais concretas. Quando se fala em

violência ligada ao futebol, ela ocorre, na maior parte das vezes, no entorno dos estádios e

também em seu interior. Nos últimos anos, o que se pôde notar foi também uma mudança nos

locais de brigas entre "torcedores" – muitas vezes marcadas via redes sociais a quilômetros de

distância dos estádios.

É preciso fazer a lei ser cumprida e punir o indivíduo que comete o crime. Existem maneiras de

prevenção – principalmente quando estamos falando de um estádio, repleto de câmeras e

formas de cadastrar cada torcedor que está ali. É necessária uma união, uma conversa, entre

os diferentes poderes ligados ao esporte – Ministério do Esporte, Ministério da Justiça, CBF,

Federações e clubes.

Infelizmente, a realidade está posta, mas nenhuma autoridade, ao que parece, é capaz de

conversar com os clubes para encontrar uma solução. É muito "simples e fácil" colocar a culpa

na sociedade violenta. Enquanto isso, estamos tomando de goleada para os bandidos infiltrados

no futebol, que, aos poucos, vai morrendo com torcida única, portões fechados e seus fãs cada

vez mais longe dos estádios, com medo e insegurança.

Um abraço,

Savio Bortolini e Renan Koerich*

*Renan Koerich é jornalista, autor do livro "Savio – dribles certeiros de uma carreira

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